Já tem muito tempo que eu to querendo fazer um post sobre a paixão do torcedor, mas sempre deixo pra depois para não parecer que eu só vou falar de futebol, mas esse é um assunto que eu gosto muito, então vou escrever sobre o que eu gosto.
Apaixonar-se por um time é como se apaixonar por alguém, exagero meu? Não! Pergunte a qualquer amante do futebol. Paixão é essa coisa inexplicável mesmo você não escolher por quem vai se apaixonar. E é sobre isso que eu quero falar: a paixão por um time. Assunto que foi tema do meu tcc da pós-graduação, onde meu grupo falou sobre a torcida organizada Raça Rubro-negra, mas esse post não é sobre torcidas.
Antes de aprofundar no assunto vou contar porque quis escrever sobre isso hoje. Sou uma goiana que torce por um time paulista. Pois é, imaginem quantas coisas eu já ouvi por causa disso né? “Tem que valorizar os times goianos”, “você fala que gosta de futebol, mas ignora os times da sua terra”. Vamos esclarecer uma coisa: eu adoro ver um time goiano indo bem no campeonato, mas isso não mexe com o meu coração. Eu sou menos goiana por isso?
Algumas pessoas são tão obcecadas por essa ideia que às vezes soam irracionais. Ninguém é obrigado a gostar de uma coisa para provar o seu regionalismo. Conheço goianos que odeiam pequi e continuam sendo goianos. Então vamos aprender a respeitar as escolhas dos outros? Como eu disse no início, paixão a gente não escolhe.
Para explicar melhor o que eu estou tentando dizer, vou fazer um resumo da minha história de amor com o São Paulo. Sou filha de uma goiana com um paulistano. A família do meu pai torce pelo tricolor paulista. Ainda bem pequena meu pai me levava para o Serra Dourada e sempre assistíamos aos jogos do Goiás (time que meu pai tem uma admiração), até que um dia tive o prazer de ver o São Paulo jogar no Serra e fiquei encantada de ver meu pai vibrando com cada lance (claro já tinha o visto torcer assistindo pela TV, mas ao vivo é diferente) e esse sentimento foi me ‘contagiando’. Meu coração batia acelerado a cada lance a gol. E foi nesse dia que eu entendi, eu podia assistir a mil jogos do Goiás que meu coração nunca ia bater da mesma forma.
Tomei a liberdade de pegar um trecho do TCC para dividir com vocês: “Antes mesmo de falar, ou até nascer, muitas pessoas já ganham um time para torcer e dificilmente mudam de opinião quando crescem. O ato de torcer cria uma identidade em cada pessoa e quando um grupo compartilha o mesmo sentimento, essa identidade se torna coletiva” (...) “Muitas pessoas se apaixonam por alguém e não conseguem explicar o motivo dessa paixão. E quando se fala em time de futebol esse sentimento pode ser ainda mais forte. Amar cores e camisetas de um time cria vínculos tão fortes que os torcedores passam a fazer parte das alegrias e tristezas vividas pelo clube”.
E vocês, têm uma paixão como a minha?
Fayda Chiarella
* Hoje, o meu personagem da semana é uma das potências do futebol brasileiro. Refiro-me ao torcedor. Parece um pobre diabo, indefeso e desarmado. Ilusão. Na verdade, a torcida pode salvar ou liquidar um time. É um craque que lida com a bola e a chuta. Mas acreditem: O torcedor está por trás, dispondo. (SANTOS, 2004, p.77 apud RODRIGUES, 1993, p. 40)
* O torcedor é antes de tudo, paixão.
É chama sagrada.
Queima e ilumina o coração do homem.
(Armando Nogueira)

